domingo, 22 de dezembro de 2013

Poesias #23

  Natal
                                                                     “Aos que já partiram, aos que aqui estamos, e aos que  
                                                                      ainda chegarão. Família somos todos.”
                                                                                   O arroz de Palma- Francisco Azevedo

Neste Natal
Quero um coração
Não importa como seja
De madeira ou papelão

Tem que ter
muitas gavetas
Pra guardar
minha emoção

Se for de madeira
precisa amolecer
Com a chuva
do anoitecer

Se de papelão
precisa ser forte
Pra enfrentar
a morte

Quero um coração
de verdade
Que bata suave no peito
e que não tenha maldade

Quero que guarde lá dentro
A fé perdida
que resgatei
O choro contido
que já chorei

Quero ter um coração
Que guarde a liberdade
Que conviva com a amizade
Com parcimônia
e alteridade

Quero guardar
Os mimos, os gestos
os laços
Quero guardar os abraços
Aqueles que nunca dei

Quero ter no coração
O perfume da flor recebida
O carinho do filho chegado
Do neto crescido
Do amor renascido

Quero guardar a idade
Dos castelos
Das cidades
Das rainhas, dos mosteiros
E de toda humanidade

Neste Natal
Quero a pedra mais cara
E a beleza mais rara
Para guardar junto delas
Dentro do coração
O presente que já tenho
Na família que ganhei

                     Dalva Tesainer Bonatto
                  Porto Alegre, 22 de dezembro de 2013






                                                                                                                                                            

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Poesias #22

  CONSTANZA
                              Para minha primeira princesinha


A mãe ajeitou o berço
Feito bicho
Arrumando o ninho

Buscou nas fibras do ventre
O algodão mais puro
O tecido mais nobre
Pra receber o filhinho

No tempo das flores lavanda
Enquanto o pai
Arrumava a varanda
Ela tecia

Tecia e absorvia
O som abafado
O carinho, o afago
E sentia

Sentia o cheiro da flor
O gosto salgado
Da água nutrida
Da mão amiga

E o tempo da flor
Tornou-se luz
Na tenra infância
Se fez Constanza

                              Porto Alegre, 22 de dezembro de2006
                                 Dalva Tesainer Bonatto


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poesias #21

Claudio
                 Para  Claudio amor da minha vida
               
As emoções do momento
Procuram palavras
em  movimento
Pra traduzir
Sentimentos
Sinto tua respiração
E, descubro ar
Me enlaço em teus braços
E , descubro abraços
Tuas mãos
Se confundem com as minhas
Na dança do tempo
Teus cabelos ao vento
São os meus, que desconheço
Nossos olhares são os mesmos
No balanço do encontro
Conheço tuas manias
Que se parecem com as minhas
Traduzo teus pensamentos
Mesmo no inconsciente
Sei a cor da tua pele
A melodia dos teus lábios
Mesmo que não me reveles
Conheço tuas transformações
Que acompanham minhas metamorfoses
Num atavismo constante
Ouço ecos no teu silêncio
Respeito teus espaços
Teus cansaços
E, não preciso de espelho
A sintonia de nossos reflexos
Ultrapassam  plexos e lexicos
Ando sempre em casa
Quando estou contigo
E só transmigro
Para ficar comigo.

Dalva Tesainer Bonatto


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Poesias #20


Definição de amor


É a marca de batom que fica no copo
para sentires  o sabor da minha boca,
É o reflexo do teu rosto no espelho
respingado de creme dental,
É a marca dos teus passos na areia úmida
que deixam os meus beberem o mar,
quando entro neles.
É a simbiose de nossos perfumes
que provoca em mim uma reação em cadeia,
cujo produto final é sempre incerto.
É a brisa que bate do lado inverso
e deixa arrepiados nossos corpos suados.
É o coração na mesma sístole
do encontro de mãos!


                                     Dalva Tesainer Bonatto

                            Porto Alegre, 06 de novembro de 2004

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Poesias #19

   Limites
              Há um lugar entre a sombra e a luz, que nem todos
                   conhecem mas ninguém sai de lá sem marcas.
                                                                       Dalva

De repente
a escuridão
Seguro com força
o cordão de prata
que liga meu corpo a terra
e, meu espírito ao universo
Tento me apoiar
em coisas invisíveis
Procuro mãos
Encontro tentáculos
Grito
Mas que ironia
Meu grito é mudo
Escuto vozes
Que não posso ouvir
A chama apagou
Tudo é nada
No ar azedo
Só o brilho
do cordão de prata
Mas de repente
A brisa leve da esperança
Uma brasa acorda
Cheira meu corpo
Me cutuca
Me dói
Percebo luz
O espelho, reflete minha cara
Amassada, esmagada
Triturada
Mas, sou eu
Me equilibro nos passos
E só então
visto meu chapéu rosa
Pra ganhar outra vez a rua
Renasço
                     Dalva Tesainer Bonatto
               Porto Alegre, 10 de julho de 2012



domingo, 1 de dezembro de 2013

Poesias #18

                       Mar Transfigurado       
                                                                 Quem pode convencer o mar
                                                                  Para que seja razoável?
                                                                                   Livro das perguntas- pg.107
                                                                                                   Pablo Neruda

Só o tempo tem a força da palavra.

Sou água que brilha,
no templo profundo.
Rezo

Sou vida que pulsa,
no ventre sem luz.
Cresço

Sou sal que arde,
na terra sem sol.
Queimo

Sou folha que cai,
no porto sem nau.
Danço

Sou voz que cala,
no pranto sem flor.
Grito

Sou rio que deita,
no leito sem dor.
Morro

Sou fogo eterno
Sou luz
Sou mito
Estrela que sangra
Na paz
No infinito.

                                  Dalva Tesainer Bonatto
                         Porto Alegre, 18 de julho de 2008




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Poesias #17

                 Possibilidades
                                    “Eu prefiro manter em mente a possibilidade de que
                                                              a existência tem sua própria razão de ser”
                                                                        Wislawa Szymborska- escritora e poeta polonesa


Possuímos
Parâmetros de
Poderes
Possuímos
Possibilidades
Possíveis de
Pensar que
Poderiam
Parecer
Pensamentos
Porém
Pensamentos são
Passíveis de possuir
Impossíveis de implodir
Seria então possível
Possuir o impossível
e torná-lo?


Prefiro
Padecer de
Poemas e
Passear
Pelas
Palavras
Puras

                                        Dalva Tesainer Bonatto
                                      Porto Alegre, 25 de abril de 2013


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Poesias #16

Ética e Estética

                             Para Ingrid- Pilates
                                                             
Com mãos de mago
Amenizas dores
Tensas de emoções guardadas
Escutas medos e até segredos
Ouvidos de mercador, às vezes
Outras...nem tanto
Descobres o belo
Mesmo quando,
ainda não se revela
Jogas um punhado de energia
E a esteira voa
E os pesos são plumas
Impulsionas os pensamentos
Esculpis com movimentos
E nos torna
O que já somos!

Beijos, com poesias e flores 
               

                    Dalva Tesainer Bonatto
              Porto Alegre,18 de outubro de 2013

                                  


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Poesias #15

Antítese Reinventada


              Poesia baseada em Lua Adversa
                     de  Cecília Meirelles 
 
Tenho tempos, como os meses          
Para estação definida,
Às vezes encarno reses
Outras sou fera perdida
Tempos tenho como meses
Quando sou frio, estou bicho
preso à hibernação
Guardo a essência no nicho
pra surpreender
no verão
Sou ar que brota rebento
Estou flor, aformoso o  vento
Então, quando escurece
Água sou, pura na prece
desnuda lavo o que teces
No outono sou gavinha
agarro-me às tuas vestes
Para tornar-me a rainha
Do reino que já me deste!

 

         Dalva Tesainer Bonatto

      Porto Alegre,06 de agosto de 2013



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Poesias #14

Buganville
                Para poeta Alma Coração

Deita teus braços macios
No áspero muro de pedras
Deixa em cascata
Cair teu corpo no ar
Reflete a luz do sol
no brilho rosa de teus cristais
Derrama gotas verdes de orvalho
E me conta o segredo dos pássaros

                        Dalva Tesainer Bonatto
              Porto Alegre 21 de setembro de 2011




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Poesias #13


                   POESIA NA PRAÇA

                    Poesias brilham
                    Sob a sombra dos ipês
                    Desnudas no tempo
                    Formigas aladas
                   Ganham o mundo
                   Só as vozes
Ecoam na praça

   Dalva Tesainer Bonatto

 Porto Alegre, novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Poesias #12

           Novembro


Olhos grudados
Na fresta da janela
Cabelo grande ao redor do rosto
Preto, como os olhos
Pichaim confirmando a cor
Era cedo
Ela esperava
De repente
Homens de preto
subindo as pequenas escadas
Entrando por becos
Vielas
Espiando
Metralhadora na mão
Escondendo o corpo
Andavam rapidamente
O que estariam procurando?
Ela estranhou
a roupa preta dos homens
Não a metralhadora
Estava acostumada
com o vai e vem das pessoas
e, das armas em seus ombros
Via sempre motos
Rugindo por ali
Novas, potentes
Marcando o território
Como podiam comprá-las
Se ela esperava a muito
Uma boneca nova de cabelos lisos
Loira
Como a que ela havia visto
na casa onde a mãe trabalhou
Ta...ta...ta...ta...ta..............
Tiros
Fizeram com que saísse de onde estava
Corresse para baixo da cama
Era a recomendação da mãe
Porque estaria demorando?
Ninguém nas ruas
Só aqueles homens de preto
E, dois porcos alheios ao que acontecia
O povo estava assustado
APAVORADO
A mãe, lá em baixo
Aflita com a pequena
Havia trabalhado a noite toda
E, não podia subir
Devia esperar
Ficou inerte, sem saber o que fazer
Estava desnorteada
Não viu aquelas pessoas
Com metralhadoras nas costas
Que identificavam os moradores
Ao longe vislumbrou os homens de preto
Ouviu tiros
E, entendeu o que acontecia
Queria correr mas não podia
Queria voar mas não sabia
Chorou quando viu a bandeira tremular
no alto do morro
Era o melhor presente que levaria
naquele dia para a filha
PAZ
                      Dalva Tesainer Bonatto

                       Porto Alegre, novembro de 2012

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Poesias #11

Essência
                       “Há no silêncio do ar uma paz autorizada”
                            N Dalu de Almeida- Poeta Angolano


Os gestos
Não escolhidos
As palavras
Não ditas
Os olhares
De mensagens
com brisa, às vezes
de tempestade
outras
Pertencem ao único mundo
do EU
Não presente
mas sensível
 Linguagem própria
Envolto em bolha de ar
Flutua
Mágico e perfeito espaço
Onde só é permitida a entrada
do OUTRO
na igualdade
e no amor
Onde só há o caminho de ida
do OUTRO
Mas,
Onde ocorre o ENTRE?
Onde está a ESSÊNCIA?

MISTÉRIO

                                     Dalva Tesainer Bonatto
                            Porto Alegre, 03 de julho de 2013




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Poesias #10

            Palavras

Palavras são flores
Se bem faladas, perfumam,
Se mal cheirosas, desgostam
Vou dizendo palavras,
Como quem distribui flores
Afofo a terra, planto
Rego na época das secas
Deixo a água purificar suas raízes,
Com paciência... espero
Observo, com olhos atentos
Escolho as cores,
tom sobre tom,
Analiso as pessoas
As bocas que falam
As mãos que doam
Me envaideço com os perfumes
E depois...
Ofereço flores!

           Dalva Tesainer Bonatto
                      Porto Alegre,  01/07/03

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Textos Poéticos #4

                        Este conto não é poético, mas genético...  
                           Dia de Todos os Santos

  Naquele ano, o mês de novembro se anunciara um pouco antes, quando os fortes ventos já haviam causado estragos nas plantações e as casas mais afastadas das cidades ficaram totalmente destruídas. Ela arrumou uma pequena sacola de cor amarelo ouro e colocou dentro algumas peças de roupas que poderia precisar. Não tinha a vaidade que permeava a maioria das mulheres da sua idade, mas era forte, segura de si, de idéias criativas e muito correta; esta era sua maior virtude, a honestidade. Era dia de finados e resolvera que não ficaria em casa. Havia perdido o pai há poucos meses e naquela ocasião, não se permitira chorar sua partida, apenas cumprira os rituais do enterro e pronto. Queria estar só, ficar só com seus pensamentos, queria organizá-los para uma nova etapa de sua vida. Estava afastada do marido há muitos anos e quando se divorciou, na divisão dos bens, herdou a sogra como sempre dizia, que era sua eterna preocupação. Viviam em casas separadas apenas por uma cerca de metal que possuía um pequeno portão para facilitar a passagem, já que a sogra em idade avançada, estava doente e precisava de cuidados constantes.Mas, neste dia sairia de casa e tomaria o rumo da praia. Lá ficaria bem, com suas lembranças de infância, com o cantar dos pássaros e a rede balançando numa das poucas árvores que ainda restavam. Com a casa vazia de gentes, poderia sonhar, com vozes antigas,com caras amigas, poderia ouvir o pai, contando estórias, cantando trechos de músicas que ninguém conhecia, mas que afagavam a alma e envolviam o coração, como aquele algodão doce, cor de rosa, que ganhara na Igreja São Pedro, no dia da Crisma. O pai, energia pulsante, sempre presente em todos os momentos, vibrava com tudo, o pouco era muito para ele; um italiano que havia vindo do outro lado do mundo, com uma mão na frente e outra atrás, mas tinha construído, com suas próprias mãos aquela casa, que era uma beleza, para seus filhos e netos. Não se podia falar da aparência externa da casa, pois quando ficou pronta, há quase cinquenta anos, pintou-a de amarelo com as aberturas azuis, restos de tinta que havia ganhado de um amigo pintor que trabalhara nos postos da policia rodoviária, mas pelo conteúdo que permanecia nas paredes, junto com os cupins, mesmo fora da estação. A casa tinha um cheiro de pai e mãe que agregava a família, um sabor de festa que unia os amigos, não mais havia ninguém por ali, mas ela ficava muito feliz, toda vez que colocava a grande chave amarela, pendurada no chaveiro do batman, na porta de entrada da casa.
 Chegou ao final da tarde, por segurança abriu apenas a janela da cozinha. Aos poucos, sentindo-se mais confiante, abriu também a porta da frente. Ligou a televisão e assistiu uma reportagem sobre animais selvagens, o que a deixava mais relaxada. Tentou dormir; não conseguiu. Sentou-se na cama, abriu a carteira e começou a relacionar os cheques, que precisava fazer para pagar as contas.Contou também o dinheiro que restara da viagem. Contar dinheiro era o que mais gostava; estava no sangue, no seu DNA. Havia herdado esta característica do pai: homem forte, rude, mas com idéias avançadas para sua época. Fora criado pela mãe, mulher de aparência simples, descendente de uma baronesa que morava num castelo nos Alpes. Sabia como se comportar à mesa, comia com garfo e faca e usava adequadamente todos os copos.Contador de dinheiro e contador de estórias, era o que seu pai, mais gostava de fazer.As filhas herdaram dele este tesouro.Uma trabalhava no setor financeiro da empresa, no centro da cidade e a outra contava estórias.
  O pequeno carro vermelho estacionou em frente ao portão, fechado com um cadeado. Uma jovem loira, aparentando cerca de trinta anos desceu. Ela vestia calças pretas e uma blusa estampada caída para o lado, mostrando uma tatuagem colorida, o que a deixava com um charme especial. Com delicadeza apertou na campainha; depois, ansiosa, começou a chamar e por fim gritava. Não obteve resposta. Entrou novamente no carro e foi para beira da praia. Caminhou um pouco pelo calçadão, encontrou alguns conhecidos, mas não quem procurava. O sol já estava alto e o dia escaldante, naquela hora. Marcava trinta e dois graus no grande relógio da plataforma. Ela sentia a cabeça explodir, pensou em tomar um comprimido, mas lembrou-se que não havia nenhum na bolsa. Foi até a rua principal, entrou em todos restaurantes, sorveterias, lojas, procurou nos bancos do canteiro central, não a viu. De longe observou a vitrine com sapatos coloridos, correu para lá. Nada. Na angustia do desespero ligou para a tia, que lhe deu algumas pistas de onde encontrá-la, mas também não obteve sucesso. Tentou novamente o número conhecido, nenhuma resposta, não era novidade, tinha certeza que do outro lado ninguém atenderia, o telefone estava sempre descarregado.
 A filha, querendo surpreender a mãe , foi surpreendida pelo inesperado, por uma destas surpresas que a vida oferece todos os dias e que as pessoas não se dão conta de que ela se movimenta como um rio, sem curso certo, sem tempo e sem hora marcada.Então, quando atravessou a ponte pensando em desistir, viu a mãe com um pequeno caniço nas mãos, ao lado de outras pessoas pescando sardinhas.


                                                Dalva Tesainer Bonatto

                                    Porto Alegre, 04 de novembro de 2012

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Poesias #9

Olhos de garras
            “Tudo vale quando se quer
                    chegar ao outro honestamente”
                          Arroz de Palma  -Francisco Azevedo- 



Já vi este olhar
outro dia
tinha um pouco de cor
um pouco de dor
Mas as garras se deixavam ver
Mostravam os dedos escuros
e as unhas sujas
Os olhos
queriam dialogar
mas não sabiam
Queriam se acalmar
mas se enviesavam pelos cantos da sala
Não tinham mais
o brilho do amanhecer
Não sabiam mais
expressar os sentimentos
Mas lá no fundo
ainda havia uma luz
que pedia socorro
não sabiam dizer

                          Porto Alegre, 01 de agosto de 2012                                     

                               Dalva Tesainer Bonatto

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Poesias #8

Passos

Ando pelo espaço
Livre de emoções
sem rumo
o tempo não conta
No ar
as folhas caem
ao balanço do vento
Só escuto
o som da liberdade
Só sinto meus passos
no andar cadenciado
Os pensamentos
antes em desordem
se aglutinam novamente
Ainda sem ordem
sem pressa
Busco a paz
Abro os armários da alma
e, reorganizo as prioridades
Gotas de orvalho,
perfumam meu corpo
com leve cheiro de mar
Volto
pés descalços
na água insípida
Só então o encanto
A explosão do encontro
Osmose perfeita
do eu comigo

              Canela, 20 de janeiro de 2012
                     Dalva Tesainer Bonatto




segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Poesias #7

   Geist é a existência mesmo, a essência última do ser; e o processo histórico inteiro que constitui a realidade. É o desenvolvimento de Geist rumo a autoconsciência e ao autoconhecimento. Quando este estado for alcançado, tudo que existe será harmoniosamente um só consigo mesmo. “O Absoluto”

         

           Nada me prende a nada
              Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo
                  Anseio com uma angústia de fome de carne.
                                                     O que não sei que seja.                                                                                               
                                                               Fernando Pessoa


 O tempo é curto
 Muito curto,
 pra que eu seja uma
Única,
Indivisível,
Plena e absoluta.
Quero dois dias pra ter;
duas auroras,
dois por de sóis,
duas tardes pra caminhar
duas chuvas pra chorar
duas noites inteiras pra amar
Mas só um tempo
Pra existir

                                      Dalva Tesainer Bonatto
                                         Porto Alegre, 29 de abril de 2005