quinta-feira, 31 de julho de 2014

Poesia #49

Ler

Abrir um livro
Pra ler
É como entrar numa floresta
Não sei,
Que bichos vou encontrar
Se vão me morder
Ou se vão me encantar
Não sei,
Se as feras soltas em mim
Vão saltar para o livro
E lutar
Não sei quem vai perder
Não sei quem vai ganhar
Mas o tempo
Esse bicho perdido
Vou achar


  Dalva Tesainer Bonatto
Porto Alegre, 30 de outubro de 2011


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Poesia #48

Reinvenção

REVISO as peças
Do quebra-cabeças
Encaixes perfeitos
REJUNTES sem frestas
Passagens estreitas
Arestas
Tento teoremas
Fórmulas químicas
Força centrífuga
Chaves polidas
Rios
REORGANIZO gavetas
Não mais em ordem alfabética
Sem taxionomia
Giro
REINVENTO a vida


                                                    Dalva Tesainer Bonatto
                                                      Porto Alegre, 27 de setembro de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Poesia #47

Gratidão
Na semana em que se comemora a Amizade, agradeço a todos que acessam meu blog.
Aos amigos que conheço e estão perto e aos amigos de longe, que sinalizam seus países no momento de suas leituras.
Aos amigos do Brasil.
Aos amigos da África do Sul, Alemanha, Bulgária, Chile, China, Espanha, Estados Unidos, Indonésia, Irlanda, Malásia, Portugal, Rússia, Ucrânia.
Aos poetas

Um grande abraço, com poesias e flores
           Dalva



        Friends

Nos dias de inverno frio
Da minha Terra gelada
Que fica na ponta do mapa
Se veste de branco a estrada
O minuano irritado
Encilha o cavalo alado
E anda longe, longe, longe
Mesmo sem ser convidado
Passa pelos telhados
E leva sempre emprestado
Uma roupa do varal
Desarruma os cabelos da floresta
E acha uma bela fresta
Pra entrar na minha janela
Ensaia uma sinfonia
E garante que qualquer dia
Vai tocar no carnaval
Já até pediu emprestado
A fantasia da chuva
Que sai de braços dados
Junto a um raio de sol
Mas o que me encanta mesmo
Na gelada Terra minha
É o calor que sempre tenho
Do fogo que não desdenho
Das mãos que tocam fadigas
Das bocas que falam cantigas
Nas rodas de chimarrão
Do verbo que evoca línguas
E nutre a alma de pão

                        Dalva Tesainer Bonattro
                  Porto Alegre, 16 de julho de 2014






quarta-feira, 9 de julho de 2014

Poesia #46



             MÃE
                   Para Miracy

Senti que o tempo com tempo
E, pincel artesanal
Pintou rugas no teu rosto
Marcas de bem e não mal

Nas montanhas elevadas
Onde o sol bate mais forte
Há cicatrizes amargas
Que não esqueces com a morte

 Nos rios que passam abaixo
Dessas montanhas caladas
A água é límpida e fresca
E a vida floresce do nada

No crepúsculo de teus olhos
Ainda tens a beleza
E, quando o espelho me olha
Vê teus olhos com certeza

Desenhada e bem formada
Tua boca pequena
Não foi não por mim roubada
Mas por tua neta amada

Dentre todas estas marcas
Que o tempo pintou na tela
Abriu ele uma janela
E, pude ver-te por dentro
Então percebi, que talento!

Espiei teus sentimentos
Olhei de perto teu coração
Empurrei tua saudade
Pra junto da minha mão

E agora que te conheço
Pelo lado inverso de fora
Sou como tu na metade
Do tempo que tens agora

        Para minha querida mãe, com amor e carinho,
        no seu aniversário de noventa anos.

                                    Dalva Tesainer Bonatto
                            Porto Alegre, 09 de julho de 2014