quarta-feira, 9 de julho de 2014

Poesia #46



             MÃE
                   Para Miracy

Senti que o tempo com tempo
E, pincel artesanal
Pintou rugas no teu rosto
Marcas de bem e não mal

Nas montanhas elevadas
Onde o sol bate mais forte
Há cicatrizes amargas
Que não esqueces com a morte

 Nos rios que passam abaixo
Dessas montanhas caladas
A água é límpida e fresca
E a vida floresce do nada

No crepúsculo de teus olhos
Ainda tens a beleza
E, quando o espelho me olha
Vê teus olhos com certeza

Desenhada e bem formada
Tua boca pequena
Não foi não por mim roubada
Mas por tua neta amada

Dentre todas estas marcas
Que o tempo pintou na tela
Abriu ele uma janela
E, pude ver-te por dentro
Então percebi, que talento!

Espiei teus sentimentos
Olhei de perto teu coração
Empurrei tua saudade
Pra junto da minha mão

E agora que te conheço
Pelo lado inverso de fora
Sou como tu na metade
Do tempo que tens agora

        Para minha querida mãe, com amor e carinho,
        no seu aniversário de noventa anos.

                                    Dalva Tesainer Bonatto
                            Porto Alegre, 09 de julho de 2014