segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Textos poéticos #1

Poesias e poetas
                                                                          “Onde encontrar uma sineta
                                                                                                        que sonhe dentro de teus sonhos?”
                                                                                                            Livro das Perguntas –Pablo Neruda   

Para se fazer poesias é só ter o olhar atento e um pouquinho de paciência. Para mim as palavras são como pequenas peças de um quebra-cabeça que ficam de mãos dadas rodando numa ciranda constante, numa dança sensual, como se estivessem se escolhendo, se encaixando umas nas outras.Assim, seleciono cuidadosamente cada uma, como se fossem jóias e coloco-as numa pequena caixa para usá-las no momento próprio. Cria-se tudo na vida, os caminhos que a gente anda, as fotos que a gente bate, as palavras que a gente tece, tudo depende da maneira de observar as coisas e de transformá-las. Um artista plástico,vê na pedra o que ele quer tirar dela, um pintor enxerga na tela branca o motivo e as cores que vai pintar.Um fotógrafo sabe o momento exato em que o fato se expressa melhor. Nós mesmos sabemos produzir com o corpo diferentes movimentos, de acordo com nosso aspecto físico, nossas virtudes e nossos pecados.Um bebê quando nasce já é uma poesia pura , natural, uma escultura lapidada, uma foto perfeita. Fazer poesias,tem um segredo, uma magia, que pode ser revelado, na surpresa que se quer causar; na quantidade de encanto que se coloca em cada palavra.
 Fazer poesia é ser a própria coisa que se quer criar, senti-la e dar vida a ela.

                                                                                                   Dalva Tesainer Bonatto
                                                                                                       Porto Alegre 27 de outubro de 2009
Nota:
Fotografei esta bela imagem,quando fui a Colônia de Sacramento no Uruguai.O mais incrível, foi ver esta mesma foto no livro que conta as origens da cidade.

Poesias #1

Auto-retrato  

                  Descartes- Penso, logo existo

Houve um tempo em que
Eu queria ser:
Um pouco mais magra
Um pouco mais jovem
Um pouco mais surda
Um pouco mais muda
Hoje descubro que sou
Mais magra do que queria
Mais jovem do que sabia
Tão surda e tão muda
Quanto a liberdade
Que tenho de escolher

      Dalva Tesainer Bonatto

Porto Alegre, 12 de julho de 2007