segunda-feira, 31 de março de 2014

Poesia #34

     Distração
                                    “Sentir é  estar distraído”
                                          Fernando  Pessoa
  
  Tênis  surrados
   Meias no avesso
   Pés molhados
   Ando

   Passos lentos
   Cortando a calçada
   Pensando o passado
   Passo

   O asfalto se abre
   Engole meus traços
   Máscara e sangue
   Descalço


            Dalva  Tesainer  Bonatto

         Porto Alegre, 15 de abril de 2006   

quinta-feira, 27 de março de 2014

Poesia #33

Aquele homem

Desencantado
Com as verdades sofridas
Amargurado
Com os humores perdidos
Conhecia a vida
Era um belo homem
Mas, não sabia
que possuía o bem mais precioso
Até que um dia
Colocou o tênis
Abriu a porta
E... começou a correr


Dalva Tesainer Bonatto

Porto Alegre, 27 de março de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

Poesia #32

    Minha Terra

Percorro Porto, aporto
Onde águas recortam relevos
Redescubro o cais nos armazéns suados
Tempero o tempo nos muros lavados
Ontem, pichados de lemas dourados


Abro janelas da Usina
Liberto aves com sina
Exorto harmonia do parque armado
Gol do Inter, no Gigante encantado
Rezo danças pros veleiros ainda parados
Encontro paz no sol poente, do meu Porto amado


             Dalva Tesainer Bonatto

             Porto Alegre, março de 2004

sexta-feira, 21 de março de 2014

Poesia #31

 

Palavras
                      Com as palavras mais usadas por Fernando Pessoa elaborei um texto poético.
                               Esta é minha homenagem à ele no dia Mundial da Poesia                       


Imaginei
Sentir-me completo
Quando meu nada,
Tornou-se cheio.
Desassossego!
Senti meu tudo
Vazio novamente
Não mais imaginei.

Fingi voar sobre a paisagem morta dos teus olhos,
mas as cores que meu pincel descobriu,
foram as de um arco-íris.

Sosségo
Quando meu desassossego
Sosséga em ti.

Fingi, fingir que estava dormindo
só  pra te ver acordar.

Casulo preto
Fechado
Sem tranca
E, sem cadeado
Abre tuas portas
e liberta
A borboleta
Que incerta
Vai voar
Solta no prado!

Olho com olhos de mar
E navego
Olho com olhos de noite
E sonho!

Entre o vazio e o nada encontro a ponte que revela tudo

           
       Dalva Tesainer Bonatto
Porto Alegre 21 de março de 2014
    
                   


            

segunda-feira, 17 de março de 2014

Poesia #30


  Armário

Armários vestidos
De festa e de luz
Armários rendados
Bordados em cruz

Gavetas repletas
De sal e de mar
Gavetas abertas
De sombra e de luz

Gavetas contidas
Impregnadas de suor
Cheirando a lágrimas
esquecidas

Gavetas opacas
De sol e de ar
Respirando ventos
eternos momentos

Mas há um fio
dourado de tempo
Que remenda as lembranças
Alinhava, costura,
Tece novas tramas
no caminho da vida



        Dalva Tesainer Bonatto
Porto Alegre, 18 de setembro de 2013



sexta-feira, 14 de março de 2014

Poesias #29

Nascimento do ser

I-Partículas

Sobem
Descem
Se arrumam
Dançam
E bêbadas
Tornam-se luz.

II-Pureza

Essência
Em notas musicais
Explodem
Num tom
A vida

III- Consciência

Das roupas que me Destes
Quero-as algumas
Das outras
Preciso despir-me.
                                  Porto Alegre, 14 de março de 2008
                                                   Dalva Tesainer Bonatto


segunda-feira, 10 de março de 2014

Poesias #28

Hoje

Que bom, caminhar pela vida
Buscar a emoção perdida
Encontrá-la assim
Entrando pelos espaços
Correndo pelos meus braços
Se derramando em abraços
Queria,
Me alimentar de palavras
Mastigar todas vogais
E escolher as consoantes
Deixá-las entrar,
Num tom, baixinho, constante
Triturá-las, amassá-las
Deixá-las ficar
Queria,
Absorver todos os cheiros, perfumes, odores
Misturar com sentimentos
Palavras, sabores, amores
Deixá-los formar-se,
E então, num só momento
Oxigenar meu corpo inteiro
Sentir fluir pelos poros
Sair pelos olhos
Deixá-los tornar-se
Queria,
Explodir em poemas
E, não parar
Nunca mais parar!

                                    Dalva Tesainer Bonatto

                                   Porto Alegre, 5 de junho de 2003