terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Textos poéticos #5

                                                Verão                   

    “A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”
                                                                                                     Gabriel García Márquez

 Voltei do mar com passos firmes, decididos, não passaria de hoje, de qualquer modo falaria tudo o que pensava sobre ela.
 Fiquei olhando a rua, de muitas temporadas, o portão que corre, quando a areia não tranca nos trilhos, a pequena casa de madeira, cheia de cupins; acho até que eles é que seguram as tábuas que ainda persistem por exigência do patriarca. Todos anos ela recebe uma reforma, mas os cupins, permanecem lá; penso que eles gostam do cheiro de verão e infância que ainda passeiam pelas paredes.Olhei a trepadeira da área, agarrada aos marcos da casa, como se tivesse medo dos fortes ventos que sopram durante as tempestades.Entendi que há uma simbiose entre os dois, acho que ela pensa que aquele tronco faz parte do seu corpo e ele tem certeza que aquela cabeleira lhe pertence.Percebi que a casa se aproximava, me olhava, me cheirava, como um animal perdido reconhecendo o dono.Tanto tempo, mas ela ainda estava lá para o encanto do encontro.Lambi o sal que ainda estava na poeira da mesa e só então pude reverenciá-la.

Casa

A alma desta casa é muito antiga, ela vive na praia desde 1964, guarda lembranças e sentimentos; ela pode captar as vibrações positivas e entregá-las a todos que nela habitam .No inverno dorme com o balanço do mar e o som do silêncio; no verão acorda cheia de vida com os aromas e temperos de comida.
  Ela contém toda claridade da estação; é o porto seguro de nossos
barcos.Ela encanta no conforto do abraço é vaidosa e alegre.E está sempre a nossa espera!

“Querida casa, já percebi que estar com aqueles de quem eu gosto é o quanto basta”
  
                                                                                           Dalva Tesainer Bonatto
                                                                                                             Verão /2012


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Poesias #24

Desejos

Não tenho pressa
Só quero a pressa
De não ter pressa

Quero um olhar atento
Pausado, enamorado
Para as coisas da vida

Quero um andar parado
Revisado, assustado
Das coisas perdidas

Quero um calar falado
Exagerado, envergonhado
Com as coisas sentidas

Quero um ouvir velado
Reservado, encantado
Com as coisas vividas

Quero sentir o cheiro do tempo
Quero vidas sem lamento
Voar nas asas do vento

Quero a energia de um raio de sol
Numa nota si bemol

Quero um amor renovado
Um carinho dobrado
Um abraço apertado

Quero escolher
O amor
A paz
A vida


     Dalva Tesainer Bonatto
Porto Alegre, 08 de janeiro de 2014