segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Poesias #12

           Novembro


Olhos grudados
Na fresta da janela
Cabelo grande ao redor do rosto
Preto, como os olhos
Pichaim confirmando a cor
Era cedo
Ela esperava
De repente
Homens de preto
subindo as pequenas escadas
Entrando por becos
Vielas
Espiando
Metralhadora na mão
Escondendo o corpo
Andavam rapidamente
O que estariam procurando?
Ela estranhou
a roupa preta dos homens
Não a metralhadora
Estava acostumada
com o vai e vem das pessoas
e, das armas em seus ombros
Via sempre motos
Rugindo por ali
Novas, potentes
Marcando o território
Como podiam comprá-las
Se ela esperava a muito
Uma boneca nova de cabelos lisos
Loira
Como a que ela havia visto
na casa onde a mãe trabalhou
Ta...ta...ta...ta...ta..............
Tiros
Fizeram com que saísse de onde estava
Corresse para baixo da cama
Era a recomendação da mãe
Porque estaria demorando?
Ninguém nas ruas
Só aqueles homens de preto
E, dois porcos alheios ao que acontecia
O povo estava assustado
APAVORADO
A mãe, lá em baixo
Aflita com a pequena
Havia trabalhado a noite toda
E, não podia subir
Devia esperar
Ficou inerte, sem saber o que fazer
Estava desnorteada
Não viu aquelas pessoas
Com metralhadoras nas costas
Que identificavam os moradores
Ao longe vislumbrou os homens de preto
Ouviu tiros
E, entendeu o que acontecia
Queria correr mas não podia
Queria voar mas não sabia
Chorou quando viu a bandeira tremular
no alto do morro
Era o melhor presente que levaria
naquele dia para a filha
PAZ
                      Dalva Tesainer Bonatto

                       Porto Alegre, novembro de 2012