quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Poesias #19

   Limites
              Há um lugar entre a sombra e a luz, que nem todos
                   conhecem mas ninguém sai de lá sem marcas.
                                                                       Dalva

De repente
a escuridão
Seguro com força
o cordão de prata
que liga meu corpo a terra
e, meu espírito ao universo
Tento me apoiar
em coisas invisíveis
Procuro mãos
Encontro tentáculos
Grito
Mas que ironia
Meu grito é mudo
Escuto vozes
Que não posso ouvir
A chama apagou
Tudo é nada
No ar azedo
Só o brilho
do cordão de prata
Mas de repente
A brisa leve da esperança
Uma brasa acorda
Cheira meu corpo
Me cutuca
Me dói
Percebo luz
O espelho, reflete minha cara
Amassada, esmagada
Triturada
Mas, sou eu
Me equilibro nos passos
E só então
visto meu chapéu rosa
Pra ganhar outra vez a rua
Renasço
                     Dalva Tesainer Bonatto
               Porto Alegre, 10 de julho de 2012