Natal
“Aos que já partiram, aos que
aqui estamos, e aos que
ainda chegarão. Família somos todos.”
O
arroz de Palma- Francisco Azevedo
Neste
Natal
Quero
um coração
Não
importa como seja
De
madeira ou papelão
Tem
que ter
muitas
gavetas
Pra
guardar
minha
emoção
Se
for de madeira
precisa
amolecer
Com
a chuva
do
anoitecer
Se
de papelão
precisa
ser forte
Pra
enfrentar
a
morte
Quero
um coração
de
verdade
Que
bata suave no peito
e
que não tenha maldade
Quero
que guarde lá dentro
A
fé perdida
que
resgatei
O
choro contido
que
já chorei
Quero
ter um coração
Que
guarde a liberdade
Que
conviva com a amizade
Com
parcimônia
e
alteridade
Quero
guardar
Os
mimos, os gestos
os
laços
Quero
guardar os abraços
Aqueles
que nunca dei
Quero
ter no coração
O
perfume da flor recebida
O
carinho do filho chegado
Do
neto crescido
Do
amor renascido
Quero
guardar a idade
Dos
castelos
Das
cidades
Das
rainhas, dos mosteiros
E
de toda humanidade
Neste
Natal
Quero
a pedra mais cara
E
a beleza mais rara
Para
guardar junto delas
Dentro
do coração
O
presente que já tenho
Na
família que ganhei
Dalva Tesainer Bonatto
Porto Alegre, 22 de dezembro de 2013