quinta-feira, 15 de maio de 2014

Poesia #41

DE MÃE PRA FILHO

Vejo o reflexo da mãe que fui
No espelho dos teus olhos
Quando embalas teu filho
Na hora do denguinho
Quando suspiras ao sabor
Do cheirinho dele, que é único
Quando te orgulhas
Do primeiro sorrisinho
Da primeira travessura
Das primeiras palavrinhas
Ma mamãe, pa papai
Sinto o espelho da mãe que fui
Quando teu filho chora de noite
E o afagas, com carinho
Pra acalmar o medo
Do pirata, da bruxa, dos sacis
Personagens das estórias contadas
Antes de dormir
Percebo a simplicidade da mãe que fui
Quando teu filho descobre
As primeiras letrinhas
O poder do lápis
Do super-herói
Da professorinha
E o ensinas, com paciência
E te vejo, voltar
E voltar outra vez
Quando escutas
Não compreendi
Sinto o conflito
No teu corpo inteiro
Quando teu filho pergunta
Pode? Por quê?
E tens que inserir no vocabulário
A palavra proibida
Pra compor as novas regras
Pais modernos, atentos na internet
Mas, nossos olhos quando se encontram
Soa alto, aquela música do Belchior
‘’ Apesar de termos feito
Tudo que fizemos,
Ainda somos os mesmos,
Ainda somos os mesmos,
COMO NOSSOS PAIS”

             Dalva Tesainer Bonatto
   Porto Alegre, 09 de maio de 2010