segunda-feira, 5 de maio de 2014

Poesia #40

Auto-ajuda

Cada vez
Que subo a escada
E tropeço
E dói
Sei que devo ir devagar
Pra contar os degraus
E compreender
De que foram feitos
E  quanto precisaram
Pra ser escada
Cada vez que chove
E na rua deserta
De musgo molhado
Escorrego
Sei que devo ir devagar
Pra olhar o chão
E compreender
O caminho e as pedras
Cada vez que escalo o muro
Tentando pegar
A mais bela flor
E deslizo no espinho
Sei que devo ouvir meu som
E compreender
Os sentimentos
E transformá-los
Cada vez
Que ultrapasso os limites
E tropeço, escorrego, deslizo
E caio
Me dou  conta
Que devo parar
E cuidar de mim

 
                     Dalva Tesainer  Bonatto
                     Porto Alegre, 26 de abril de 2010