quinta-feira, 17 de abril de 2014

Poesia #37

ANDES

Hoje te reverencio, para que sejas eterna assim como tua neve em mim!
Sexta-feira Santa, Jesus morre para renascer a qualquer momento em nossos corações.
                                             Dalva
Pelo teu corpo,
vi todas as impressões
das mãos que te esculpiram.
Tuas artérias,
vazias de sangue cristalino,
revelaram-me tua nudez
seca e árida de pão.
Tuas saliências
plasmaram-se em meu espírito,
e tive paz!
Meu sangue,
não mais era meu.
Tua água
escorria pelos meus dedos,
mas não mais te pertencia.
Num encontro único,
Sublime,
Imortal,
De corpo e alma.
Tatuei pra sempre,
No teu ventre rasgado,
Meu DNA
Ainda molhado!

                                Dalva Tesainer Bonatto

                    Santiago do Chile, 23 de março de 2005